inflação médica

Inflação médica: Como é calculada, causas e histórico brasileiro

Equipe TOTVS | CONSULTÓRIO MÉDICO | 20 janeiro, 2022

A inflação médica, ou Variação de Custo Médico-Hospitalar (VCMH), está relacionada à variação de despesas médico-hospitalares das empresas prestadoras de planos de saúde por cada beneficiário.

Anualmente, é feito um cálculo dividindo o total de custos assistenciais pelo número de beneficiários ativos.

Ou seja, para chegar ao valor da inflação médica, é necessário entender todos os custos para prestação de serviços no atendimento aos beneficiários ao longo dos últimos 12 meses e dividi-los pelo número de clientes ativos da operadora de saúde.

O índice de inflação médica leva sempre em conta o ano anterior para fazer o cálculo da porcentagem de aumento dos custos.

Mas além de levar em conta a quantidade de beneficiários ativos, para entender o índice VCMH também é necessário entender outros fatores que podem interferir na inflação.

Alguns exemplos que impulsionam os custos de saúde são: aumento do envelhecimento populacional, aumento no preço de medicamentos, investimento em tecnologia, entre outros fatores.

Como você deve ter imaginado, além das mudanças de hábitos, modelos de trabalho e impactos econômicos em geral, a pandemia do novo coronavírus também teve seus efeitos sobre a inflação médica.

No ano de 2020, o índice apurado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) trouxe um cenário inédito, com uma inflação de índice negativo de -1,9%.

Esse número indica uma queda bastante expressiva no valor pago pelas operadoras em planos de saúde individuais, especialmente quando comparado com 2019.

Em 2019, o índice apurado foi de alta de 14,5%.

O IESS considera os preços unitários por produtos e serviços pagos nos planos de saúde, assim como a quantidade de vezes que esses serviços foram utilizados pelos beneficiários.

Em 2021, o cenário mudou um pouco. Com a retomada gradual das atividades e avanço da vacinação, somente no primeiro trimestre de 2021 o índice, de acordo com o IPCA/IBGE correspondeu a 6,1% em relação a 2020.

Se você deseja saber mais sobre como funciona o VCMH e o histórico da inflação médica no Brasil, continue a leitura.

O que é inflação médica?

inflação médicaA inflação médica, também conhecida como Variação de Custo Médico-Hospitalar, ou VCMH, é um índice utilizado para representar a variação das despesas médico-hospitalares das operadoras de planos de saúde por beneficiário.

Ela é calculada por meio da divisão do total de custos assistenciais da operadora pelo número de beneficiários ativos.

Para que essa apuração seja feita, é considerado o custo médio de um período de 12 meses em relação ao custo médio dos 12 meses imediatamente anteriores.

Ou seja, só para dar um exemplo, o índice VCMH de janeiro de 2021 se refere à variação das despesas assistenciais do ano de 2021 comparada à de 2020.

Cada operadora de planos de saúde define atualmente o seu próprio índice de inflação médica. Isso serve para aplicar o reajuste anual nos contratos com as empresas.

Além disso, a inflação médica também é calculada e divulgada anualmente pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

O IESS fornece um panorama das oscilações das despesas assistenciais em todo o território brasileiro, para isso utilizando os dados de um conjunto de planos individuais de operadoras no país.

Como a inflação médica é calculada?

A inflação médica, ou simplesmente VCMH, é calculada levando em conta quatro variáveis: período de apuração, custo das operadoras, amostra e ponderação. Entenda a seguir!

Período de apuração

Para calcular a inflação médica, é preciso levar em consideração a variação dos preços ao longo dos últimos 12 meses, isto é, do ano anterior.

Ou seja, para calcular a inflação médica de 2022, é necessário considerar a variação dos planos de saúde de 2021,  para que o cálculo seja mais preciso.

Custo das operadoras

Nesse segundo pilar para o cálculo, avalia-se o custo praticado pelos planos de saúde ao longo dos últimos 12 meses.

Consultas, internações, terapias, exames e outros serviços prestados são levados em conta para o cálculo da inflação.

Durante esse levantamento, é possível analisar também quais são os serviços mais usados pelos beneficiários dos planos de saúde.

Normalmente, esses serviços com maior demanda tendem a ter um aumento de custo.

Amostra

Na amostra, é necessário aplicar uma metodologia de pesquisa para avaliar uma porcentagem dentro do total de todos os beneficiários dos serviços de saúde. 

Para o cálculo, leva-se em consideração uma porcentagem de 10% dos beneficiários de cada região do Brasil.

Ponderação

Por fim, é necessário fazer uma ponderação de acordo com o tipo de plano. 

Normalmente, os operadores trabalham com diferentes tipos de planos: básicos, intermediários, executivos etc.

Por isso, para um cálculo correto, é necessário levar em conta essas variações de padrões de serviços prestados aos beneficiários, pois cada tipo de plano possui um valor diferente.

Quais são as causas da inflação médica?

Existem vários fatores que podem provocar um aumento na inflação médica. Mas antes de entender quais são essas causas, é necessário entender que a inflação médica acaba sendo superior à inflação econômica.

Isso ocorre porque a inflação econômica geral, que é apresentada pelo Índice de Preços do Consumidor (IPCA), leva em conta a variação dos preços.

A inflação médica, por outro lado, leva em conta outros fatores, como o aumento do preço de serviços de saúde e alta no uso de serviços como consultas, cirurgias, exames, internações e tratamentos, por exemplo.

Além dessa relação de custo de operação de um serviço versus o aumento de demanda, é necessário considerar outros fatores que podem refletir sobre a inflação médica. Veja a seguir!

Adaptação e investimento em novas tecnologias

A área da saúde, sem dúvidas, é um dos setores que mais se destaca pela necessidade de investimento em novas tecnologias.

Afinal, com avanços tecnológicos é possível melhorar a eficácia de diagnóstico, tratamento e prevenção dos pacientes nas patologias.

Esse investimento em tecnologia é extremamente necessário e gera diversos benefícios para a população como um todo, mas representa muitas vezes uma grande porcentagem dos recursos financeiros.

Além do investimento em equipamentos e ferramentas, também está incluído o custo de treinamentos e especializações dos profissionais.

Por isso, também representa uma das causas da inflação médica, por elevar os custos de manutenção e atualização do setor.

Preço de medicamentos

O preço alto de medicamentos e materiais importados também é um dos fatores que impactam na inflação médica no país.

Crescimento de hábitos não saudáveis

Até mesmo quando pensamos em inflação médica, a prevenção vem em primeiro lugar.

Isso porque o investimento em prevenção e incentivo a hábitos saudáveis também é uma forma de reduzir os custos altos necessários no tratamento de patologias que possuem como fator de risco hábitos prejudiciais à saúde.

Tabagismo, má alimentação, estresse, sedentarismo e outros hábitos prejudiciais, além do impacto na qualidade de vida, também contribuem para uma maior chance de desenvolvimento de doenças crônicas, que podem exigir tratamentos recorrentes e acompanhamento médico constante.

Envelhecimento populacional

Os avanços na medicina, assim como a busca por hábitos mais saudáveis, são fatores que permitem às pessoas viverem com mais qualidade de vida e com muito mais longevidade, especialmente quando comparamos com o passado.

Nesse contexto, o envelhecimento, apesar de ser algo natural, pode vir acompanhado de patologias e doenças crônicas que aumentam as necessidades de acesso à saúde para uma parcela grande da população.

Atualmente, a faixa etária de pessoas com mais de 60 anos já é uma das que mais precisam e utilizam os serviços de saúde, e a tendência é que aumente ainda mais nas próximas décadas.

Consequentemente, o custo para prestar assistência a um número maior de pessoas também tende a acompanhar esse aumento da longevidade.

Histórico da inflação médica no Brasil

É possível acompanhar o histórico da inflação médica no Brasil no Variômetro, o termômetro do VCMH no Brasil, que mostra quais foram as porcentagens de inflação dos últimos anos.

Para se ter uma ideia, em 2020, aconteceu um marco inédito de inflação médica com percentual negativo, de -1,9%.

De 2019 a 2013, os percentuais de inflação médica foram os seguintes:

2020:  -1,9%
2019: 14,5%
2018: 17,3%
2017: 16,5%
2016: 20,4%
2015: 19,3%
2014: 15,8%
2013: 16%

A inflação médica ao redor do mundo

Em vários países do mundo, incluindo o Brasil, o mercado de saúde vem sofrendo cada vez mais os impactos nos custos, o que faz subir os preços e encarecer o acesso à assistência privada à saúde.

Na maioria dos países, a inflação médica geral gira em torno de 4% a 12%, entretanto, desde os anos 1980, esses custos vêm aumentando sensivelmente em todos os países onde não há sistema público de saúde ou há sistema misto.

Trata-se de um reflexo do envelhecimento populacional, do desperdício de materiais e da incorporação de novas tecnologias médicas, impulsionada pelo aumento da renda da população e de uma maior taxa de cobertura da população.

Para se ter uma ideia de como esses custos vem crescendo, só nos Estados Unidos, a cada 13 anos, os gastos com saúde dobram.

Isso representa entre 27% e 48% do crescimento dessas despesas desde 1960.

Em 2020, por conta da pandemia, houve uma grande queda na inflação médica no mundo, pois as pessoas passaram a adiar procedimentos eletivos.

A inflação médica e os planos de saúde

Vimos que para chegar ao cálculo da inflação médica é necessário levar em conta o custo de despesas médico-hospitalares das empresas prestadoras de plano de saúde por beneficiários.

Mas você deve estar se perguntando ainda: o quanto a inflação médica interfere em possíveis reajustes no valor de mensalidades de contratos individuais ou empresariais de plano de saúde?

Na verdade, o reajuste dos planos de saúde individuais levam em consideração o que determina a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Entre várias outras funções, a ANS é o órgão responsável por fazer o controle dos aumentos de mensalidades cobrados aos beneficiários pelas operadoras.

Para esse controle, além de fazer uma avaliação de quais são os fatores que estão provocando o aumento nos preços repassados, a ANS também avalia o índice da inflação médica, que é submetido por cada operadora ou seguradora.

Depois dessa avaliação criteriosa, a ANS divulga um índice de reajuste, mas ele não significa necessariamente um índice de preços.

Ele representa a variação da frequência de uso dos serviços, os custos de saúde e as novas tecnologias.

Para se ter uma ideia, em 2021, o órgão determinou um índice de -8,19% de reajuste aos planos individuais.

Esse valor negativo, assim como no VCMH, também reflete as quedas das despesas assistenciais no setor durante a pandemia de coronavírus. 

Mas, e no caso dos planos empresariais?

Bem, no plano empresarial, a ANS apenas faz o acompanhamento do aumento dos preços.

Nesses casos, a ANS não fixa um teto de reajuste para os planos empresariais, diferente do que faz nos planos individuais.

Essa diferença acontece por conta do órgão entender que a relação entre as operadoras e as empresas permite um poder maior de negociação.

Anualmente, as operadoras de plano de saúde empresarial divulgam o índice aplicado sobre os contratos. Dessa forma, é como se cada operadora/seguradora tivesse seu próprio índice de inflação.
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O que as empresas podem fazer para diminuir custos com saúde?

Entenda quais são as principais medidas que as empresas podem tomar para diminuir os custos com saúde por meio de uma boa gestão financeira dentro do seu negócio:

Reavaliar o tipo de plano contratado

Uma das primeiras medidas a se fazer para diminuir os custos com a saúde dentro da empresa é reavaliar o tipo de plano de saúde contratado.

É possível encontrar planos que vão garantir a saúde e o bem-estar dos colaboradores, mas que pesam menos dentro do orçamento da empresa.

Para não acabar excedendo os gastos, é importante avaliar se o plano contratado faz sentido de acordo com as necessidades dos colaboradores, o que nos leva à próxima dica.

Conhecer o perfil de seus colaboradores

Outra medida importante a ser tomada é mapear e conhecer o perfil de saúde da sua população de beneficiários, isto é, do seu quadro de funcionários.

Fazendo esse mapeamento, é possível identificar quais são os pontos mais importantes a serem considerados na hora de contratar um plano de saúde.

Uma alternativa excelente nesse sentido é mapear os grupos de risco e elaborar um programa de acompanhamento para colaboradores com doenças crônicas.

Agindo dessa maneira, é possível trazer mais resultados positivos.

Criar um programa de prevenção de doenças

Por fim, uma das principais formas de reduzir os custos com saúde dentro da empresa é criando programas de prevenção à doenças.

Ao incentivar a prevenção, a empresa estará ajudando o funcionário a buscar por mais qualidade de vida e saúde, prevenindo ou reduzindo as chances de desenvolvimento de doenças crônicas e outras patologias.

Inflação médica: Dúvidas frequentes

Agora confira algumas dúvidas frequentes a respeito da inflação médica:

Qual será a inflação médica em 2022?

Em 2021, tivemos um reajuste inédito negativo. Para 2022, os planos de saúde terão uma alta recorde de acordo com um relatório do BTG Pactual.

De acordo com os analistas do banco, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) deve estipular um reajuste de 15%.

Entretanto, é bom lembrar que só saberemos esse número de fato no meio deste ano.

Como a reforma do imposto de renda pode influenciar a inflação médica?

Para entender os possíveis impactos de uma reforma no imposto de renda sobre a inflação médica, primeiro precisamos entender qual é o projeto de lei que pretende implementar essas reformas.

A Reforma do Imposto de Renda é um projeto de lei desenvolvido na Câmara dos Deputados (PLL 2337/2021) que prevê o corte das isenções de PIS-Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).

Essas isenções consistem, essencialmente, em incentivos fiscais concebidos para diversos setores, como o da saúde, na qual engloba medicamentos, produtos químicos e farmacêuticos.

Por esse motivo, segundo especialistas, a aprovação dessa reforma pode ter um impacto muito negativo sobre a inflação médica e sobre o setor da saúde como um todo, encarecendo o preço dos planos de saúde e dos medicamentos.

O que os médicos podem fazer para ajudar a diminuir a inflação no setor?

Como vimos, a inflação médica pode causar um imenso impacto financeiro na vida dos pacientes.

Por isso, nesse cenário, os médicos podem adotar algumas práticas para minimizar o impacto dos custos de internação no setor. Confira algumas delas:

Melhor direcionamento dos recursos

Para diminuir os custos com a inflação médica, é fundamental que os médicos direcionam os tratamentos e procedimentos da maneira mais otimizada possível, de acordo com a real necessidade do paciente.

É preciso que não haja uso desnecessário de recursos valiosos, como medicamentos, e isso só é possível a partir de um estudo constante.

Quanto maior for o entendimento do médico a respeito da situação clínica do paciente, maiores são as chances de proporcionar um cuidado preciso, evitando o desperdício.

Por esse motivo, a busca por especializações, cursos e outras formas de aprendizado são formas de fazer a diferença.

Trata-se de algo muito além de estudar a medicina, mas de estudar técnicas e práticas direcionadas para aumentar a adesão do paciente ao tratamento, o que fará toda a diferença na sua saúde clínica.

Uso de tecnologia

Utilizar soluções tecnológicas e que proporcionam uma tomada de decisão mais estratégica e embasada em indicadores é uma das melhores formas de diminuir os impactos da inflação médica.

Nesse sentido, o uso da telemedicina é uma ótima alternativa, como podemos ver no vídeo abaixo:

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O Eleve Saúde é um software médico completo para gestão de clínicas e consultórios

A plataforma possui uma interface simples e intuitiva, facilitando ainda mais a rotina dos profissionais da área da saúde.

Nessa ferramenta, você encontra tudo o que precisa para organizar as rotinas de agendamentos e consultas.

E, ao mesmo tempo que otimiza os processos internos, esse software também ajuda a oferecer uma experiência ainda melhor para os pacientes.

Para começar a utilizar todos os benefícios da Eleve Saúde, não é necessário fazer nenhuma instalação. 

Todo o sistema funciona de forma 100% online, facilitando o acesso por meio de diferentes dispositivos, seja computador, tablet ou notebook.

Em resumo, você terá todos esses recursos em suas mãos:

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Confira mais sobre o Eleve Saúde, software médico para a gestão de consultórios e clínicas. 

Conclusão

Neste conteúdo, você viu o que é a inflação médica e como funciona o seu cálculo. 

Como explicamos, trata-se do índice usado para representar o aumento ou redução nos gastos das despesas médico-hospitalares por beneficiário entre os planos de saúde.

O cálculo sempre utiliza a média de custos ao longo dos últimos 12 meses, ou seja, leva sempre em conta o ano anterior.

Embora pareça um tema pertinente apenas para os profissionais da área da saúde, operadoras de planos de saúde e clínicas, a inflação médica acaba interferindo em diversos setores.

As pessoas jurídicas contratantes de planos de saúde empresariais, por exemplo, precisam entender também como funciona esse cálculo para conseguir avaliar os reajustes e o que pode ser feito para reduzir as despesas extras.

Para os beneficiários, também é importante entender a inflação médica para saber como os planos de saúde realizam o reajuste das mensalidades.

Se você deseja continuar aprendendo mais sobre saúde, confira nossos artigos sobre jornada do paciente e atendimento humanizado.

Comentarios

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